Tradução para o português do manifesto anti-Palantir de Harry Halpin, publicado originalmente no blog da Nym. Vinte e dois pontos sobre a responsabilidade moral de quem programa a Internet, o tecnofascismo, e por que o código é hoje o único suporte real do direito à privacidade.
A história de a² + b² = c², a equação simples o bastante pra uma criança ler que levou três séculos e meio pra ser provada. Da nota na margem de Fermat até a prova de Wiles, e o que ela abre sobre o que significa ‘resolver’ alguma coisa.
Se uma máquina resolvesse todo problema aberto numa caixa selada, sem ninguém pra ler os resultados, alguma coisa teria mesmo sido resolvida? Parte 2 de uma reflexão que começa no Último Teorema de Fermat e vai parar num incômodo: entendimento precisa pousar numa mente.
Franklin listou treze virtudes aos vinte anos e passou a vida marcando as próprias faltas num caderninho. Peguei a ideia, mas com sete virtudes minhas e um agente no Telegram no lugar do papel. Sobre humildade, escuta, e por que caderno de papel dura três dias.
Um poema curto e uma confissão ainda mais curta. Não tenho Bitcoin. O pouco que eu tinha foi vendido para pagar as contas, e nunca comprei nada. Nunca caí na religião maxi, e disso tenho um orgulho quieto.
Como um post do Adam Back no X iniciou uma reflexão sobre o design ingovernável do Bitcoin, o Hashcash como filtro de spam baseado em mercado, a visão de Hayek sobre moedas concorrentes, e se múltiplos sistemas Bitcoin compartilhando SHA-256 tornariam o ecossistema mais difícil de capturar via política energética.
Seis anos e vários projetos de tokenização depois — stablecoin BRZ, derivativos de hashrate da Alkimiya, NFTs de floresta da Preservaland, EURQ na LayerZero, CS Digital — as lições que não cabem em painel de conferência. A parte mais difícil nunca é o smart contract.
A palavra companhia esconde uma refeição. Sobre como o capitalismo nunca foi natural, o tecnofeudalismo de Varoufakis, a síndrome do escritório vazio na era da IA, e a pergunta que define a próxima década: para quem vamos partir o pão depois que a máquina mudar o trabalho?
A maioria das pessoas acredita ser moralmente superior à média. Um ensaio entre a psicologia cognitiva (Tappin & McKay), Nietzsche (Genealogia da Moral) e Haidt (o cavaleiro e o elefante) sobre o juiz que carregamos por dentro — e o que fazer para deixá-lo descansar.
Sobre como arquitetura sempre esteve embutida no ato de programar — até as equipes crescerem e a Lei de Conway começar a mandar mais que a Liskov. Por que software apodrece se não muda, por que Definition of Ready é arquitetura disfarçada de processo, e por que na era da IA a intenção vale mais que o código.