Escrevi isso no X mais cedo hoje, apaguei pouco depois e trouxe pra cá, onde o texto pode ficar com mais silêncio em volta.

Ser produtivo demais, por causa dos avanços recentes em IA, me ajudou a zerar o backlog que eu carregava há anos.

Daqui pra frente, o que eu quero é tirar pelo menos dois dos cinco dias em que eu trabalhava só pra ler, sem falar com o LLM em momento nenhum.

Só de pensar nisso já me bate um FOMO pesado de não estar usando ele pra construir coisas. Mas começo a perceber que o tempo importa, inclusive o tempo de descanso. Não que eu não soubesse, mas o incentivo pra continuar empurrando está mudando. Tem coisa que precisa de tempo pra assentar.

Esses dias aquela janela do rei Salomão tem feito muito sentido pra mim.

Eclesiastes 3

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu:

há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar, tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de jogar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz.

E junto com Salomão tem esse Bukowski, que também não sai de perto de mim. É uma coisinha pequena que diz mais sobre o momento do que a maioria dos ensaios que eu li esse ano:

I Met A Genius
Charles Bukowski

I met a genius on the train
today
about 6 years old,
he sat beside me
and as the train
ran down along the coast
we came to the ocean
and then he looked at me
and said,
it's not pretty.

it was the first time I'd
realized
that.

(Encontrei um gênio no trem hoje, com uns seis anos. Ele sentou ao meu lado e, enquanto o trem corria pela costa, chegamos ao oceano e ele olhou para mim e disse: não é bonito. Foi a primeira vez que eu havia percebido isso.)

Talvez seja só isso. O gênio tem seis anos porque ainda não avisaram pra ele o que é que ele deveria achar bonito. O resto da gente passa a vida inteira, e muitos ciclos, reaprendendo a olhar.


Uma nota à parte

Li isso hoje, anônimo, em algum canto da internet. Deixo aqui porque também não saiu da minha cabeça:

Existe uma guerra silenciosa acontecendo entre Psicopatas e Esquizofrênicos. Sabemos que o número de pessoas nos dois grupos é bem pequeno, porém um grupo tem mais chance de virar CEO (psicopatas) e o outro tem mais chance de virar morador de rua (esquizofrênicos).

Isso acontece porque os esquizofrênicos são bons em reconhecimento de padrões e conseguem notar os psicopatas. Os normies são incapazes de ver psicopatas bem na frente deles, e os psicopatas aproveitam e dominam por causa disso. Os esquizofrênicos conseguem identificá-los num nível instintivo e “sussar” eles de um jeito que os normies nunca conseguiriam. Por isso, existe uma campanha constante de desmoralização contra os esquizofrênicos, feita pelos psicopatas tiranos, que querem usar a população contra seu maior inimigo natural.

Não estou endossando a precisão clínica de nada disso. Mas como moldura, ali do lado de Salomão e de um menino de seis anos num trem, o texto bate. Tem tempo de empurrar, e tem tempo de recuar e deixar o reconhecimento de padrões fazer o trabalho dele em silêncio. Esses dois dias por semana, é pra lá que eu quero ir.